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domingo, 27 de março de 2016

Mensagem de Páscoa



Texto: Lucas 24.1-12
Tema: Onde estão as pedras?

         Todos nós conhecemos expressões que envolvem a palavra “pedra”.  Alguém dá exemplos?  “Você é uma pedra no meu caminho” no sentido de reclamar que uma segunda pessoa só atrapalha a vida de quem assim fala.  Outra: “Fulano/a é uma pedra no meu sapato”, com o sentido de expressão de que fulano/a só incomoda.  Mais uma: “Use as pedras que lhe atiram para construir a sua felicidade”.

         A palavra pedra nestes casos é uma ilustração simbólica para expressar alguma dificuldade de relacionamento, alguma barreira que impede a existência de uma boa comunicação ou um bom relacionamento.

         A palavra pedra também é usada para significar a presença de qualquer dificuldade para o bom andamento da vida de uma pessoa ou até mesmo de uma empresa ou de um país.  Pode significar alguma dificuldade para a realização de algum plano.

         As palavras do texto que acabamos de ler em Lc 24.1-12 nos levam de volta para o tempo, para a manhã da primeira Páscoa do NT.  A Páscoa era a festa magna, a maior festa que o povo de Israel celebrava anualmente, lembrando a libertação de Israel da escravidão egípcia, relatada em Êxodo 12.  Era uma festa que durava 8 dias e era muito concorrida e, por conseguinte, marcada com muita alegria.   A pedra da escravidão tinha sido removida pela intervenção de Deus, sob a liderança do grande profeta Moisés. 

         O texto aponta para uma grande angústia na vida de 3 mulheres mencionadas pelo nome e outras não mencionadas e na vida dos demais seguidores de Jesus.  Duas grandes pedras tinham se colocado entre estas pessoas e seu Mestre Jesus.  A primeira foi a morte de Cristo.  A segunda foi a pedra do túmulo que Pilatos mandou rolar para a entrada da sepultura de Jesus.  A primeira pedra era impossível de ser removida do caminho.  A segunda até que poderia ser tirada, mas para nada faria sentido, sem a remoção da primeira, sem a solução da morte de Cristo.

         As 3 mulheres mencionadas por Lucas: Maria Madalena, Salomé e Maria, mão de Tiago, sem dúvida foram muito corajosas ao se dirigirem ainda escuro para o lugar onde Jesus tinha sido enterrado.  Mas sua coragem e bravura em nada mudariam a situação.  Os guardas destacados pelo governador nem ao menos permitiriam que as mulheres se aproximassem da pedra que tapava a boca da sepultura.     Nem a segunda, a mais fácil de ser removida, nem a primeira, a morte de Jesus, a grande pedra, nenhuma delas elas conseguiriam jogar para o lado.

         Então, o que elas queriam lá?  Bem, acredito que a atitude delas foi mais uma tentativa desesperada e fantasiosa de resolver o que elas nem sabiam como.  Até foram honestas entre si quando perguntaram uma à outra: “Quem vai tirar para nós a pedra?”  Solução à vista nem para a segunda, muito menos para primeira pedra.  A segunda – tirar a pedra da entrada do sepulcro – até era viável.  Mas só com a permissão dos guardas, que com certeza não permitiriam de jeito nenhum que este desejo fosse concretizado.  Mas a primeira monstruosa “pedra” – a morte de Jesus – estava fora do seu alcance de empurrar esta para fora do caminho.

Nós sabemos como a história termina.  Por este motivo estamos agora aqui, na celebração do culto ao Jesus Ressuscitado, ao Vencedor da morte.  Mas paremos e pensemos um pouco: Como tudo seria diferente se as pedras não tivessem sido removidas por alguém, este Alguém com letra maiúscula, Deus, o Senhor da vida e da morte.  Se estas mulheres tivessem chegado ao sepulcro e este ainda estivesse intacto, com as 2 pedras ainda no lugar, o que seria?  Se Jesus ainda lá estivesse, morto (a primeira pedra, colocada no caminho da vida pelo pecado de Adão), e um corpo em adiantado estado de decomposição?  O que seria da vida delas?  O que seria da nossa vida?

         Repetimos: Estamos em culto, louvando ao Doador da vida, porque conhecemos a diferença hoje, esta que as 3 mulheres e todos os seguidores de Jesus, como de resto todo o povo de Jerusalém, não sabiam e nem nela acreditavam.  O apóstolo Paulo nos dá um retumbante e vibrante tom de vitória ao escrever, conforme lemos em 1 Co 15: “Se os mortos não são ressuscitados, Cristo também não foi ressuscitado......., vv 17-19.

         Se Jesus não ressuscitou, se Deus não tirou a primeira pedra, dominando a morte com o poder criador que ele tem, então a segunda pedra não foi tirada.  Sendo assim, toda a pregação, todo o anúncio e todas as pessoas que creram e creem na ressurreição de Jesus, que creem no poder de Deus Pai, o mesmo Deus que demonstrou todo o seu poder infinito na criação do universo, tudo e todos viveram e estão vivendo na fantasia de seus sonhos e no desespero.  Então cada um pode viver à vontade, como, aliás, o mundo liberal e ateu prega e vive, que não tem problema nenhum.

         A lista poderia continuar, mas não é preciso.  De fato, Cristo ressuscitou.  A primeira pedra que foi colocada pelo diabo na vida de Adão e Eva, seduzindo-os ao pecado, fazendo aparecer uma monstruosa pedra entre Deus e Adão, esta pedra já estava despedaçada com a morte de Jesus na cruz, quando ele pagou a dívida contraída pelo pecado.  Por amor a Cristo, Deus perdoa os pecados, de graça, amorosamente.  E no dia da Páscoa, sob as ordens de Deus, um anjo desceu e removeu a pedra, a segunda pedra, que as mulheres temiam não poderem remover, selando assim a reabertura do caminho de Deus a nós e de nós a Deus, caminho desimpedido e livre.  Tirar a segunda pedra, aquela que homens tinham colocado no caminho de Deus, para Deus foi como dar um sopro em uma pena sem peso.

         “Quem vai tirar para nós a pedra que fecha a entrada do túmulo?”  Ninguém deu resposta a esta pergunta bem humana, bem nossa.  Deus deu a resposta, sem palavras.  Os guardas romanos, provavelmente, como já dissemos, nunca permitiriam a aproximação das mulheres ou mesmo de qualquer um dos seguidores de Cristo.  Mas quem pode impedir Deus de agir?  O que move Deus a agir?  Deus não age movido pelo impulso de emoções.  Deus age movido pelo seu amor eterno.  Deus tira do caminho as grandes pedras que impedem o acesso dele a nós e nosso acesso a ele.  Pedra nenhuma é capaz de obstruir a vinda de Deus a nós.  Só nós podemos, assim fez Adão, assim como fazemos nós quando pecamos, amontoar pedras no caminho para não vermos Deus.

         Por isso, a pedra, aquela segunda pedra, aquela pedra talvez de algumas toneladas, esta o anjo tirou.  Jesus saiu vencedor.  A morte foi vencida.  Paulo, no mesmo livro de Coríntios, enfatiza categoricamente e com grande emoção: “A morte está destruída!  A vitória é completa!  Onde está, ó morte a sua vitória?  Onde está, ó morte, o seu poder de ferir”?, 1 Co 15.54,55.
         Satanás, o grande mentor intelectual e arquiteto, o pai da mentira que rolou a grande pedra do pecado no caminho de Adão e Eva, este mesmo foi o primeiro que levou a pancada na cabeça quando Jesus foi ressuscitado.  Desta forma, o diabo, nosso adversário (1 Pe 5.8), foi o primeiro que foi posto fora do caminho.  Ele só pode atrapalhar a chegada de Deus aos corações humanos por meio das tentações e do endurecimento espiritual.  Ele até representa a primeira pedra, a morte, que criou corpo por meio do pecado.  A segunda pedra, a do túmulo de Jesus, representa as nossas dificuldades em crer e viver uma vida que agrada a Deus.

         Mas o Filho de Deus, Jesus Cristo, aquele que se entregou à morte como o Cordeiro de Deus que veio tirar o pecado do mundo, ele foi ressuscitado pelo poder do Pai, movido pelo amor do Pai.  O testemunho de Maria, de Pedro, de Paulo, de Tiago e de milhares de outros seguidores de Cristo, que o viram vivo e ressurreto, confirma para nós esta verdade.  Cremos no Deus da vida porque cremos num Deus vivo, Criador, Redentor e Santificador.

         As mentiras dos soldados romanos, as mentiras dos descrentes e dos ateus de todas as épocas caem por terra, mas a verdade eterna permanece: Cristo ressuscitou.  As pedras foram tiradas.

E o que realmente significa esta verdade para nós hoje?  Há alguém aqui que ainda não compreendeu a sua importância?  Há muitas confusões a respeito da pessoa e da obra de Jesus Cristo.  Isto acontece quando e porque não se conhece a Palavra de Deus, não se conhece ou não se crê na Palavra de Deus.  Isto são pedras ainda não removidas na vida daqueles que não creem e também na vida de cada cristão.  Podem ser pedras de pecados não confessados, pecados “empurrados com a barriga”, como Judas, empurrando sua ganância acabou sendo empurrado para o inferno.  As pedras podem ser também fraquezas que pesam na consciência, que não foram devidamente confessadas e nem sobre elas houve arrependimento verdadeiro.

         Pedras na vida cristã, pode ser que sejam muitas pedras, pedras de cada dia, pedras invisíveis, que atrapalham e impedem um livre andar no caminho do Senhor, pedras que abalam a fé e que enfraquecem o ânimo no servir a Deus com alegria.  Podem ser pedras envoltas no sentimento do ódio, da vingança, da raiva, da falta de reconciliação.  Podem ser pedras da cobiça que ofuscam a visão de Deus e desviam o olhar para os ídolos, os deuses falsos, pedras dos prazeres, tão marcantes nos dias que correm.

         E o que nós fazemos com esta verdade?  Lembremos sempre o que o anjo disse para as mulheres: “Agora vão e deem este recado a Pedro e aos outros discípulos”.  A verdade sobre a ressurreição de Jesus Cristo, apesar do medo, quer ser divulgada em meio ao mesmo mundo agnóstico e liberal, no qual moram e vivem pecadores cheios de “pedras” a serem removidas para que tenham vida e a tenham em abundância em Cristo.  É a tarefa e a razão de existirmos como igreja.  Deus nos chamou das trevas para a maravilhosa luz, a fim de proclamarmos as virtudes daquele que empurrou para longe as pedras do pecado e diariamente as empurra de nossas vidas pelo perdão gracioso.

Na primeira Páscoa do NT, há 20 séculos, um pequeno grupo de mulheres caminhava em direção ao túmulo de Jesus perguntando: “Quem vai tirar para nós a pedra?”  Deus a tirou, também para nós, cada um de nós.  Isto é a essência do evangelho em toda a sua doçura.  E porque Cristo ressuscitou, podemos dizer com o salmista: “Este é o dia que o Senhor fez; regozijemo-nos e alegremo-nos nele”.  Amém.



segunda-feira, 14 de março de 2016

Santa Ceia




SACRAMENTO: Você sabe ou lembra o que é?  A Santa Ceia e um sacramento.  O termo não é bíblico.  Foi introduzido pela Igreja Primitiva para definir os meios da graça: Batismo e Santa Ceia.
No anexo vai a reflexão sobre Santa Ceia, tema de nosso culto temático do último sábado.  Abençoada reflexão.  Só lhe pergunto: VOCÊ TEM PARTICIPADO DA SANTA CEIA? 
Tenha um dia abençoado.
Pst Heldo



Pinhais, 12/03/2016

S E R M Ã O


Texto: 1 Co 11.23-28
Tema: O sacramento da Santa Ceia

        Amados no Cordeiro de Deus.

        A mensagem deste culto se baseia no texto mais antigo sobre o relato da instituição da Santa Ceia, que é 1 Co 11.23-28. Preferimos optar em meditar mais uma vez sobre este tema tão querido para nós, mas tantas vezes mal entendido e, pior ainda, mal praticado por muitos de nossos membros.  O texto nos propõe que falemos sobre o sacramento da Santa Ceia.  

        Vocês ainda lembram o que é um sacramento?  Lutero explica: “Sacramento é um meio da graça de Deus pelo qual ele, juntamente com sua palavra e sinais visíveis (água, pão e vinho) nos oferece o perdão, a vida e a salvação em Cristo”.  De um lado o sacramento do batismo cria e opera a fé e, por outro, pelo sacramento da santa ceia, também a conserva e fortalece.  O batismo é o Sacramento da iniciação e a Santa Ceia o Sacramento da continuação.

        E por que Jesus instituiu os sacramentos?  Não seria suficiente para Deus nos oferecer seu perdão e amor por meio de sua palavra, suas promessas?  Quanto à santa ceia não sabemos o real motivo porque Jesus a instituiu.  Ela não oferece nem dá mais perdão além do que a palavra de Deus nos oferece.  Só Deus sabe por que Jesus a instituiu.  Mas sabemos que ela é uma ordem para nós, de a comemorarmos em todos os cultos, assim como o fazia a igreja primitiva, como podemos ler em Atos 2.47, onde lemos que diariamente os apóstolos e cristãos primitivos tinham cultos com santa ceia.

        Deus nos fala por meio de sinais que podemos entender.  Ele nos deu sua palavra, ele nos fala por meio do universo por ele criado, mas também nos fala por meio dos sacramentos.  Diz Lutero que o maior sacramento é Jesus Cristo morrendo na cruz.  Mas uma coisa para nós deve ser certa: que tanto o batismo como a santa ceia são uma maneira especial pela qual Deus se comunica conosco, pela qual o Senhor nos fala e vem a nós com palavras de perdão, vida e salvação.  Por isso, os sacramentos nunca são juízo ou condenação; são 100% redenção.

        Deus fala e espera que nós lhe respondamos: SIM ou NÃO.  E toda a resposta, todo o SIM a Deus de nossa parte só acontece por meio da fé.  Mas verdadeira fé só existe onde existe a certeza no perdão de Cristo.  Não há outra maneira de nós entendermos Deus e nem de entrarmos em contato com ele a não ser por meio da verdadeira fé no Filho de Deus, que realizou o maior sacramento ao se entregar à morte na cruz pelos pecados do mundo.

        Por isso é que a santa ceia, da qual estamos tratando de novo neste culto, não é outra coisa do que o mais puro Evangelho, a Boa Nova de Deus em toda a sua profundidade.  Na santa ceia Cristo está pessoalmente presente com o seu corpo e sangue, mesmo que isto seja um profundo MISTÉRIO para a nossa razão tão pequena.

        A santa ceia é sempre o ponto alto de nossos cultos a Deus.  Lamentamos que em nossa IELB ela seja tão pouco valorizada. A Igreja Primitiva, repetimos, celebrava a santa ceia em todos os cultos. Somente quando problemas e doutrinas erradas começaram a penetrar na igreja cristã é que também se começou a dar pouco valor para a santa ceia.

        Quando falamos e pregamos sobre a santa ceia, sempre nos vêm à memória as questões práticas que, por exemplo, o apóstolo Paulo menciona em sua primeira epístola aos coríntios, quando lá ele teve que tratar de problemas existentes na congregação de Corinto, para quem ele escreveu as suas duas epístolas aos coríntios.  E é justamente um grave problema quanto à santa ceia que o levou a também tratar dela em sua carta. 

Para entendermos melhor um pouco mais da amplitude da doutrina da santa ceia, como ilustração vamos nos referir um pouco mais às questões envolvidas sobre a santa ceia naquela congregação, porque só Paulo trata das questões da dignidade e da indignidade.  Os evangelhos nada mencionam sobre isso.

A congregação de Corinto era composta em sua grande maioria de membros que tinham vindo das religiões pagãs.  Nos cultos das religiões pagãs se praticava toda a sorte de imoralidade e bebedeiras, pensando que com isto os adoradores estavam prestando seu culto aos deuses.  Aliás, a imoralidade sexual era o destaque de muitos cultos pagãos. 

E uma vez dentro da igreja cristã, algumas pessoas, por não terem entendido direito a doutrina da salvação e da santificação, achavam que podiam continuar a praticar certas coisas que eram contra a vontade de Deus.  Era costume também em Corinto fazer-se refeições em conjunto, ou confraternizações nos dias de cultos.  E nestas refeições em conjunto alguns se embebedavam a tal ponto que nem sabiam mais o que estavam fazendo, sendo que participavam assim da santa ceia, cambaleando em direção ao altar.

Paulo diz claramente que estas pessoas não participavam da santa ceia para serem perdoadas e fortalecidas em sua fé e amor a Deus e ao próximo.  Diz ele que estas pessoas estavam abusando da santa ceia.  Isto levou o apóstolo a repreender seriamente os faltosos e toda a congregação que tolerava tais acontecimentos em seu meio, quando ele também deu explicação sobre o que é realmente a santa ceia.

Como já dissemos, a santa ceia nada mais é do que Cristo presente com sua graça e perdão.   Ela é para nós um meio da graça, um sinal de Deus no qual ele nos dá, oferece e sela o perdão, a vida e a salvação.  Isto não depende de nós entendermos a santa ceia, mas de a aceitarmos, de crermos que Jesus realmente está presente neste santo sacramento.  E por isso ela traz para o pecador arrependido toda a disposição amorosa de Deus, todo o consolo que jamais outra coisa pode oferecer à alma aflita e atormentada em pecados.  Ela é, repito, um MISTÉRIO da sabedoria divina.  Contudo, ela sempre aponta para a morte redentora e a gloriosa ressurreição de Cristo.  Por meio da santa ceia Deus nos fala de um modo especial.  A alma do pecador não descansa enquanto não encontra a paz de Cristo.

Ao tratarmos de novo deste assunto, o fazemos por dois motivos básicos: 1º - a necessidade de nós continuarmos nos exortando, nos relembrando e revendo tamanho tesouro que é o Sacramento do Altar; 2º - procurarmos desfazer ideias erradas na mente de muitos luteranos a respeito da mesma.

- Por que alguns de nossos congregados tão pouco participam deste sacramento?  O primeiro motivo é a falta de reconhecimento dos pecados e a falta do desejo de receber o perdão dos pecados.  Quem não reconhece que sua vida espiritual diante de Deus não passa de um trapo imundo como escreve Isaias 64, que sozinha esta pessoa não tem condições e forças de reverter sua situação pecaminosa, mas prefere confiar assim mesmo nos farrapos de sua justiça própria, esta pessoa ainda não reconheceu quão fundo no pecado ela se encontra.  Proteste e bata o pé quem quiser. 

E a pessoa que vive longe da graça de Deus, e consequentemente vive uma vida longe da graça de Deus, pouco se importa ou tem pouco ou nenhum desejo de receber consolo.  Por isso muitos cristãos também exatamente dão pouco valor a este momento de festa que acontece aqui em cada vez que nos reunimos para celebrar o amor de Deus.

         Temos, talvez, pouco desejo do Sacramento do Altar? Examinemo-nos e vejamos se ainda estamos em pé, conforme o mesmo apóstolo admoesta em 2 co 13.5.  Lembramos da nossa confirmação/profissão de fé?  Se não temos desejo de manter comunhão com nosso amado Salvador, que nos ama e quer nos oferecer a vida eterna, então alguma coisa está fora de foco!  Então estamos jogando fora o caríssimo perdão de Cristo e nos colocando numa situação de grande perigo de um dia a porta da vida eterna estar fechada. 

O Senhor não deseja a morte espiritual de ninguém, mas quer nosso eterno bem.  Quem nesta vida não busca com alegria a presença de Cristo, mostra com isso que está vivendo no desprezo aberto e declarado da eterna bondade de Deus.  O pecador que não deseja o que de mais caro Deus lhe tem a oferecer, está doente em sua alma.  Precisa passar por uma “cirurgia” chamada de profundo e sincero arrependimento, se preciso acompanhado de lágrimas e tristeza.  Este é o remédio, mesmo que amargo para a alma de quem não tem prazer na graça de Deus.

        - Em segundo lugar existe falta de valorização e de participação da santa ceia porque muitos pensam que isto é costume, uma simples tradição.  Muitos pensam que têm que ir para a igreja pelo menos na sexta-feira santa, senão Deus fica bravo com eles, ou porque foram educados a procederem desta forma.  Mas Deus pensa diferente.  Quem só vai aos cultos e participa da ceia porque é costume, outra vez é preciso dizer a estes que não têm proveito, apenas participam para cumprir uma tradição.

        Irmãos, nós necessitamos todos os dias de sermos alimentados e fortalecidos em nossa fé.  É necessário sermos advertidos quando não mais desejamos a comunhão com Cristo, quando estamos dormindo no sono da indiferença.  Faz-se necessário que nós diariamente afoguemos o velho homem e diariamente renovemos nosso voto de fidelidade ao Senhor Jesus, porque bem sabemos que satanás não descansa um minuto sequer, tentando nos fazer tropeçar e dormir no sono espiritual.  Quando uma criança não quer mamar no seio da mãe, é  porque ela está doente.  Pedro escreve que devemos desejar, como criança recém-nascida, o genuíno “leite espiritual” do Evangelho.

        Venha a ela com um coração carregado de faltas e falhas e as deposite aos pés da cruz de Cristo.  Valorize a presença de teu Salvador.  Busque-o em fé verdadeira e em oração sincera.  Celebre com grande entusiasmo, festeje com alegria a vinda de Jesus.

        E mais um lembrete, uma pergunta final: Nada lhe impede de participar dignamente da mesa do Senhor?  Você está preparado/a?  Está em paz com Deus e com seu próximo?  Mesmo?   Verdadeiramente?  “Peguem e comam; isto é o meu corpo....  Bebam todos vocês porque isto é o meu sangue, que é derramado em favor de muitos para o perdão dos pecados”. 
Amém.



 

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