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sexta-feira, 3 de abril de 2015

Sermão de Paixão


 
Foto: Maria Helena Margraf

Texto: João 19.17-30
Tema: A morte de nosso Fiador

Escravos sempre houve e nunca deixará de ter neste mundo.  Há escravos de suas paixões - pessoas que não se dominam; há escravos de seus apetites - pessoas que não se contêm diante de seus impulsos, e há escravos escravos – pessoas dominadas e oprimidas por outros.
Na questão da abolição da escravatura nos países das Américas houve mais ou menos um movimento integrado no século 19, e assim praticamente todos os países aqui das Américas que praticavam a escravidão, promoveram a libertação dos escravos, entre eles o Brasil em 1888.
No dia 15/04/1865 aconteceu um fato interessante nos EUA, que tinham libertado seus escravos recentemente por decreto do então presidente Abraham Lincoln (1863).  Neste dia os EUA foram sacudidos pela notícia do assassinato do presidente Lincoln, morto porque tinha mexido nos interesses de grandes fazendeiros, que não queriam a libertação dos escravos.
Naquele dia, numa Sexta-Feira Santa, formava-se enorme procissão fúnebre que vagarosamente ia passando junto ao esquife do assassinado presidente.  E em meio à fila de quilômetros encontrava-se uma idosa senhora negra com seu netinho no colo.  Quando ela chegou junto ao caixão do libertador dos escravos, ela ficou imóvel por longos minutos, enquanto as lágrimas rolavam de suas faces.  Depois, aproximando o seu netinho do caixão, disse a ele: “Querido, dê uma boa olhada para este homem.  Ele morreu por nós”!   Ele morreu por nós!

Nesta Sexta-Feira Santa, num sentido muito mais real e verdadeiro, queremos, em espírito, contemplar num longo olhar de fé aquele que morreu por nós, pelo mundo inteiro.  Queremos assim relembrar

                        A morte de nosso Fiador Jesus Cristo.

A história da Paixão e morte de nosso Senhor Jesus Cristo, a morte do Filho de Deus, está revestida de muitas particularidades.  Uma delas é o envolvimento de um tão grande número de pessoas neste episódio: judeus, gregos, romanos, religiosos, descrentes, seguidores, poderosos, humildes, governantes e governados, inimigos e grandes amigos.  De uma forma ou de outra, todos participam, ativa ou passivamente.  Uns participam por inimizade ou indiferença; outros por simpatia.  Todos os que são contra ele, se tornam participantes de sua condenação.
E um dos lances que muito chama a atenção, por isso Mateus, Marcos e Lucas em seus evangelhos registram o fato, foi a pesada cruz, por imposição dos soldados romanos, ter sido carregada no trecho final, por uma pessoa que a tudo assistia por curiosidade: Simão, natural de Cirene, norte da África.   Pela força Simão teve que ser constrangido a levar a cruz do Senhor.  Jesus estava esgotado de suas forças físicas.  Poderia morrer no meio do caminho por exaustão, o que frustraria o cruel espetáculo movido pela liderança religiosa de Jerusalém. O filme “A Paixão de Cristo” tentou nos mostrar este fato.
Como foi possível que fracas e impotentes criaturas colocassem as mãos no Filho de Deus?  Como puderam amarrá-lo, judiar dele ao extremo e o condenar à morte como um malfeitor?  Lembremos que Jesus está aqui nas profundezas de seu estado de humilhação.
Jesus não renunciou sua divindade, apenas não fez uso de seu poder, caso contrário nem teria nascido da virgem Maria, porque não teria havido sentido a sua vinda ao mundo em forma humana.  Havia um plano superior a ser cumprido por Deus em favor do mundo pecador.  E no plano de Deus nada acontece por acaso!  Jesus acha-se conscientemente a par deste plano, que ele vai executar em Jerusalém.
Já muitas profecias escritas na antiga aliança falam deste projeto de Deus.  No Salmo 40.7,8 lemos: “Eis aqui estou, no rolo do livro está escrito a meu respeito; agrada-me fazer a tua vontade, ó Deus meu”.  Jesus sabe disso.  Ele mesmo tinha dito isso muitas vezes aos apóstolos, anunciando-lhes, enquanto estavam indo da Galileia a Jerusalém, que o Filho do homem será entregue nas mãos dos gentios, será morto, mas no terceiro dia ressuscitará.   E poucos dias antes de todo este processo da nossa redenção com a prisão, morte e ressurreição de Jesus, diz o Salvador aos que o seguiam: “É chegada a hora de ser glorifi-cado o Filho do homem”, João 12.23.
Mas nada disso aconteceria por acaso, como se Jesus não pudesse fugir desta tarefa.  “Eu dou a minha vida pelas ovelhas... Ninguém a tira de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou”, João 10.15-18.
Lutero disse que “Jesus não procurou a cruz; porém, não fugiu dela. Jesus não provocou o seu martírio, mas espontaneamente entrou em sua paixão”.
Eu acredito que todos vocês, talvez não as crianças, sabem o que é um fiador.  Fiador é um avalista, alguém que se compromete a pagar uma conta de alguém por quem se responsabiliza se o devedor vier a não pagar o que deve.  Foi exatamente isto que Jesus fez.  Ele assumiu a dívida, Jesus assumiu o risco da falta de pagamento, da impossibilidade de pagamento por parte do mundo todo.
É necessário repetir e dizer que isto é para a razão humana uma grande ofensa.  A lógica dos homens é: Fez,, pagou.  Isto especialmente o pensamento grego ressaltava.  Por isso aos cristãos de Corinto, gregos de origem na maioria dos casos, Paulo escreve que “a cruz é escândalo para os que se perdem”, para os que se ofendem com o processo da salvação de Deus em Jesus Cristo.  Para Deus, esta lógica racional e humana não vale absolutamente nada.
Não que Deus não valorize o esforço humano.  É que em questões espirituais não há esforço nenhum que consiga fazer algo pelo pagamento da dívida do pecado diante de Deus.  Por isso, Jesus se tornou o Fiador de Deus.  Deus se encarrega de ser o fiador de si mesmo.  Deus cobra de si mesmo o pagamento da dívida da culpa do pecado alheio, nosso.
Como Filho amado de Deus, ele se entrega nas mãos do Pai para que da parte do Pai ele receba de volta a vida em seu corpo através da ressurreição, que é outra loucura e escândalo para quem não crê no poder de Deus.
Tendo o processo da nossa salvação eterna chegado ao seu término, restou a Jesus clamar em alta voz: “Tudo está completado”. Terminou, acabou.  O plano está cumprido.  A graça de Deus está disponível para ser buscada pelos maiores pecadores.  De joelhos, em arrependimento, sentindo, como Lutero diz, como se estivessem no inferno, todos os pecadores podem ir em busca do depósito da graça de Deus.
Perguntemo-nos neste dia de especial reflexão, a nós que já muitas e muitas vezes ouvimos e lemos sobre a história da Paixão e morte de Cristo:  E daí, o que fazer ao ouvi-la mais uma vez?  O que nos diz o todo do drama da paixão e morte de Cristo?  Jesus se tornou e é o avalista de Deus em nosso lugar.  Escreve Pedro que “não foi por meio de ouro ou prata, mas por meio de seu santo e precioso sangue” que Deus nos salvou da dívida eterna.
Pendurado na cruz, como o maior dos malfeitores, ele teve que carregar e pagar os débitos alheios.  Nós contraímos a dívida, Jesus a paga.  Sobre a cruz, os seus ombros arcaram debaixo do imenso peso de nossos pecados.  Mas assim como nós nos tornamos causadores e cúmplices de sua morte, todos nós somos os beneficiários de sua fiança, de seu aval.  É esta a boa notícia que nós nunca podemos nos cansar de ouvir, ler, refletir e com ela ter a esperança de vermos em Cristo a face de um Deus de amor.  Se esta mensagem pouco ou, quem sabe, nada agrega ao nosso conhecimento, então que aumente em nós, em mais este culto especial, nossas manifestações de eterna gratidão ao Pai de amor que nos amou, nos ama e nos amará por toda a eternidade.  Não fiquemos inertes, sem ação e sem reação diante do Evangelho de Cristo.
O evangelho é, por isso, o RECIBO de quitação que Deus oferece gratuitamente a todos os que creem nesta loucura da cruz em fé verdadeira e nele encontram perdão, vida e salvação.  “Está tudo completado” para Deus e para nós é a mesma coisa que “Está tudo pago”!  O Fiador veio dos altos céus e trouxe consigo a riqueza de sua graça, eternamente preciosa, e com ela depositou na nossa conta o também eterno amor de Deus por nós.
“Por isso devemos prestar mais atenção nas verdades que temos ouvido, para não nos desviarmos delas....Se hoje ouvirem a voz de Deus, não sejam teimosos... animem uns aos outros, a fim de que nenhum de vocês se deixe enganar pelo pecado, nem endureça o seu coração”, são admoestações vivas a cada um de nós, nesta época de tanta confusão doutrinária e de tanto liberalismo “cristão”, quando tantos cristãos não levam a sério a sua vida espiritual em relação a Jesus, e se escandalizam com a mensagem da cruz, esfriando em sua fé e negando a Jesus.
Olhemos para aquele que “morreu por nós” como o nosso Fiador de Deus, o homem pendurado na cruz, o Salvador.   Você é feliz pelo amor que Deus lhe tem?  Pode até chorar de alegria.  Podemos dormir e morrer em paz, morrer em paz com Deus porque podemos partir na paz de Cristo, o nosso Fiador.  Nada, nada pode nos condenar e nem o diabo pode nos acusar.  Fomos lavados, fomos purificados, fomos libertados, declarados justos, e somos salvos.
No entanto, a mensagem do Evangelho não acaba por aí. Ela vai adiante até o passo mais importante em todo este processo divino.  Jesus pagou o preço com o santo e precioso sangue.  Fez o depósito a Deus na nossa conta e depois, contra as expectativas do diabo e de todos os algozes que o condenara à morte, JESUS RESSUSCITOU.  Temos que sempre ligar a morte de Jesus com a sua ressurreição.  Sem esta ligação, não há salvação.  Mesmo hoje, Sexta-Feira Santa, temos que olhar adiante, para dentro da sepultura vazia, para a grande SURPRESA DE DEUS.  É ela que nos faz olhar para o além, onde o depósito do amor eterno do Pai nos será aplicado na eterna vida.
Amém.

Rev. Heldo Bredow



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